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domingo, 7 de julho de 2013
Como iniciar um negócio em 54 horas? Veja dicas importantes:
Marc Nager, coautor do livro Startup Weekend fala
sobre como levar uma empresa do conceito à criação em tão pouco tempo.
É praticamente um
senso comum achar que é necessário muito tempo, planejamento e paciência para
fazer um negócio ser bem sucedido. E, de fato, isso acontece na maioria das
vezes. No entanto, três americanos estão fomentando um novo modelo de se pensar
a gestão, que baseia em ir da ideia até colocá-la em prática em apenas 54
horas.
Seria possível? O
Administradores conversou com um dos defensores dessa tese, Marc Nager sobre o
que ele apresenta como Startup Weekend: instituição sem fins lucrativos com a
missão de educar empreendedores e incentivar a criação de startups. O projeto é
relativamente novo, iniciou em 2007, e o objetivo é que em um fim de semana
intenso os participantes desse encontro mergulhem de cabeça na cultura
empresarial e transformem uma boa ideia de negócio em uma startup viável.
Os eventos do Startup
Weekend, inclusive, adquiriram status global, com mais de 600
apresentações e presença em 100 países. O sucesso foi tanto que virou até um
livro com o mesmo nome e editado no Brasil pela Alta Books. Confira a
entrevista que fizemos com Marc Nager, CEO e codiretor do Startup Weekend, abaixo:
Vocês
resolveram transformar em livro o que ensinam em eventos que duram um fim de
semana, totalizando 54 horas. Você poderia nos explicar, então, como funcionam
esses eventos?
Nossos programas
possuem as simulações mais fieis do começo de uma empresa. Junto a outros
empreendedores da mesma comunidade, ambiciosos e com uma mentalidade parecida
com a sua, você pode enfrentar os verdadeiros desafios de erguer uma start-up
começando do zero, e durante o processo, você pode encontrar um co-fundador ou
começar sua própria companhia.
Quais
são as principais lições que vocês buscam transmitir no livro e no curso?
O livro é um resumo da
nossa história, sobre a organização e nossos valores fundamentais. A principal
lição está nos impactos culturais e transformativos que o empreendedorismo
possui em todas as comunidades. Startup Weekend é um modelo incrível e eficaz
para criar densidade e força nas comunidades para lançar negócios.
“Começar a
empreender em 54 horas? Isso é possível mesmo? Em tão pouco tempo?”. Você
provavelmente já escutou esses tipos de questionamentos. O que você diria para
essas pessoas?
Na maioria dos casos,
não. Aproximadamente um em cada 10 times que começam na Startup Weekend
continuam vivos após 12 meses. Startup Weekend visa aprender sobre a
experiência e o processo de validação da sua ideia e seu time. Assim como
atletas esportivos precisam praticar, empreendedores também e a Startup Weekend
é uma experiência incrível que vai te ajudar a se preparar para construir algo
real ou avançar com o seu próprio negócio.
Quando
falamos em empreendedorismo, muitas vezes a palavra “planejamento” vem na cola.
Ele é realmente fundamental em um negócio?
Empreendedorismo é
sobre agir. Planos de negócios são uma maneira antiquada de começar uma companhia.
Modelos de negócios são muito mais eficazes e dinâmicos. Consciência e
intencionalidade são importantes, mas você deve entender o risco de planejar o
futuro, que é imprevisível. Em vez disso, foque em construir uma base forte de
valores, saber exatamente quem são os seus clientes e quais os problemas que
você está resolvendo, como você pode lucrar e se está disposto a se manter
envolvido.
O que você
considera como o principal vilão para iniciar um novo negócio?
Não ter um time certo.
Estatisticamente e informalmente, o time é o aspecto mais importante de uma
startup. Geralmente, as pessoas se prendem a uma ideia. Esqueça a ideia, foque
no problema e tenha certeza que você possui o time certo, que você pode ser
incrível e eficaz junto.
E quais as
características que um empreendedor bem-sucedido deve possuir?
Paixão, ser
implacável, bom vendedor, ter inteligência social, habilidade para dizer “não”
e uma tendência voltada para ação.
Fonte: Administradores
ENTREVISTA: O futuro da internet e da comunicação sob a ótica de Pierre Lévy
Através
de conceitos como “espaços de conhecimento” e “cosmopédia”, ele já prenunciava
o surgimento da Wikipédia e a eficácia da disseminação das redes de comunicação
digital. Há algumas décadas, aborda as implicações da tecnologia na sociedade,
o que culminou em teorias mundialmente conhecidas como a cibercultura e a
inteligência coletiva.
Esse é Pierre Lévy, filósofo francês que não esconde seu posicionamento positivo sobre os ganhos da internet e da comunicação para a sociedade. Segue abaixo entrevista:
O mundo está passando por um momento de reconfiguração de suas estruturas políticas, econômicas e, portanto, sociais. Qual o papel da internet nisso tudo?
Um papel extremamente importante. A infraestrutura da comunicação se remodelou, e nós ainda não vimos todas as consequências políticas, econômicas e culturais dessa revolução. Nós deveríamos compará-la à invenção da escrita.
Quando conceitua o virtual, você o define como tudo aquilo que tem potência para ser, embora ainda não o seja. Como você analisa, sob a luz dessa concepção, o contexto das mobilizações virtuais atualmente?
Em relação ao “poder de se tornar”, eu diria que a internet abre um novo espaço para a liberdade de expressão, porque todos podem publicar, editar e colher informações – mesmo que não tenha nenhum poder econômico. Duas forças se opõem à atualização deste novo poder: governos ditatoriais, que tentarão ao máximo limitar a expressão do povo, e a falta de alfabetização e educação, para usar ao máximo esse ambiente de comunicação.
Você é bastante otimista ao tratar das possibilidades do ciberespaço em favor da democracia em todos os âmbitos. Como você enxerga as restrições que grupos de poder vêm buscando impor à internet? A rede é mesmo livre e incontrolável?
Eu já comentei sobre governos ditatoriais que tentam limitar a liberdade de expressão. Em relação a grandes empresas da internet como Facebook, Google, Twitter, Amazon e afins, talvez seja bom que elas estejam competindo. As barreiras como a falta de transparência e de interoperabilidade são passageiras. Você não pode esperar que tudo seja perfeito agora. Nós devemos medir e apreciar o progresso a partir dos últimos 10 anos e trabalhar para melhorar futuramente.
Você defende que a internet abre possibilidades para o surgimento de uma "inteligência coletiva". O mau uso das ferramentas, o excesso de exposição e a banalidade dos temas repetidos e compartilhados à exaustão, por outro lado, não estariam pondo abaixo essa tese?
Apesar de ser contra a censura, não condenarei a estupidez e a banalidade, que são parte da natureza humana e que existem de qualquer forma na mídia tradicional. Meu esforço é para mostrar como nós podemos explorar as novas possibilidades da comunicação a serviço da inteligência coletiva e do desenvolvimento humano.
Com a multiplicação de gadgets, estamos todos cada vez mais virtualmente conectados. Trabalhamos com um computador, saímos conectados com o smartphone, que substituímos pelo tablet quando estamos em casa. O cibernético não estaria matando o orgânico?
Isto é um absurdo, nós sempre usaremos o nosso corpo. O tablet é apenas muito mais prático e poderoso que uma folha de papel estática. A tecnologia é uma extensão do homem, não um substitutivo.
O fato de os serviços necessários à existência da internet estarem vinculados - na maior parte das vezes - a interesses empresariais pode trazer de volta a velha lógica "massificadora" da comunicação e minimizar a importância da informação compartilhada? Em outras palavras: existe futuro para o princípio da neutralidade da rede?
Interesses empresariais não são um mal em si. Negócios oferecem serviços e criam valores. Se você observar a espiral da comunicação, testemunhará que a massificação foi precisamente o efeito da mídia tradicional, e que a diversificação e personalização é o principal efeito do novo ambiente de comunicação. Vá ao Twitter e à blogosfera e veja você mesmo!
Esse é Pierre Lévy, filósofo francês que não esconde seu posicionamento positivo sobre os ganhos da internet e da comunicação para a sociedade. Segue abaixo entrevista:
O mundo está passando por um momento de reconfiguração de suas estruturas políticas, econômicas e, portanto, sociais. Qual o papel da internet nisso tudo?
Um papel extremamente importante. A infraestrutura da comunicação se remodelou, e nós ainda não vimos todas as consequências políticas, econômicas e culturais dessa revolução. Nós deveríamos compará-la à invenção da escrita.
Quando conceitua o virtual, você o define como tudo aquilo que tem potência para ser, embora ainda não o seja. Como você analisa, sob a luz dessa concepção, o contexto das mobilizações virtuais atualmente?
Em relação ao “poder de se tornar”, eu diria que a internet abre um novo espaço para a liberdade de expressão, porque todos podem publicar, editar e colher informações – mesmo que não tenha nenhum poder econômico. Duas forças se opõem à atualização deste novo poder: governos ditatoriais, que tentarão ao máximo limitar a expressão do povo, e a falta de alfabetização e educação, para usar ao máximo esse ambiente de comunicação.
Você é bastante otimista ao tratar das possibilidades do ciberespaço em favor da democracia em todos os âmbitos. Como você enxerga as restrições que grupos de poder vêm buscando impor à internet? A rede é mesmo livre e incontrolável?
Eu já comentei sobre governos ditatoriais que tentam limitar a liberdade de expressão. Em relação a grandes empresas da internet como Facebook, Google, Twitter, Amazon e afins, talvez seja bom que elas estejam competindo. As barreiras como a falta de transparência e de interoperabilidade são passageiras. Você não pode esperar que tudo seja perfeito agora. Nós devemos medir e apreciar o progresso a partir dos últimos 10 anos e trabalhar para melhorar futuramente.
Você defende que a internet abre possibilidades para o surgimento de uma "inteligência coletiva". O mau uso das ferramentas, o excesso de exposição e a banalidade dos temas repetidos e compartilhados à exaustão, por outro lado, não estariam pondo abaixo essa tese?
Apesar de ser contra a censura, não condenarei a estupidez e a banalidade, que são parte da natureza humana e que existem de qualquer forma na mídia tradicional. Meu esforço é para mostrar como nós podemos explorar as novas possibilidades da comunicação a serviço da inteligência coletiva e do desenvolvimento humano.
Com a multiplicação de gadgets, estamos todos cada vez mais virtualmente conectados. Trabalhamos com um computador, saímos conectados com o smartphone, que substituímos pelo tablet quando estamos em casa. O cibernético não estaria matando o orgânico?
Isto é um absurdo, nós sempre usaremos o nosso corpo. O tablet é apenas muito mais prático e poderoso que uma folha de papel estática. A tecnologia é uma extensão do homem, não um substitutivo.
O fato de os serviços necessários à existência da internet estarem vinculados - na maior parte das vezes - a interesses empresariais pode trazer de volta a velha lógica "massificadora" da comunicação e minimizar a importância da informação compartilhada? Em outras palavras: existe futuro para o princípio da neutralidade da rede?
Interesses empresariais não são um mal em si. Negócios oferecem serviços e criam valores. Se você observar a espiral da comunicação, testemunhará que a massificação foi precisamente o efeito da mídia tradicional, e que a diversificação e personalização é o principal efeito do novo ambiente de comunicação. Vá ao Twitter e à blogosfera e veja você mesmo!
Fonte:
Site Administradores
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